> Roccana Poesias: Lembranças

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"Poesia traz vertigens. Ora cruel, ora leve, ela é desnuda."

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13.11.05

Lembranças

lembro da palavra não dita
de cada promessa calada
de cada abraço negado
minha pele anestesiada
do teu corpo que não tive
do meu verso não rimado
de toda a beleza escondida
segredo não revelado
lembro de cada manhã
que não vi teu despertar
de cada cama desfeita
sem meu sono repousar
dos teus olhos sem me ver
minhas mãos sem te tocar
do amor que não fizemos
do que não ousei arriscar
dos sonhos que não sonhei
dos livros que nunca li
das vezes que não te excitei
a roupa que nunca despi
lembro do gosto do beijo
que a minha boca não sentiu
lembro até da despedida
de quem veio e não partiu

Um comentário:

Elenara Castro Teixeira disse...

Ana Mimosa!

Essas lembranças
que se espalham
pelo corpo feito
lava incandescente.

Vem ardendo,
vem queimando,
devoranho
feito fogo,
feito fome,
feito língua esfomeada,
d'um vulcão ainda menino!

Tua sede de paixão,
de prazer e sedução,
se derretem no ardor
dessas lembranças,
que tu negas
quando dizes:

"...lembro do gosto do beijo que a minha boca não sentiu, lembro até da despedida de quem veio e não partiu..."

Essa meia volta das palavras,
esse giro na emoção,
são como línguas de fogo
a devorar,
a consumir,
a desvendar
o magma,
a rocha do ardor
da tua paixão!

Que se perpetua em cada verso
de amor desconstruído
que tu fazes em cada rima
dessa saudade que te vitima!

Eu diria que esse vulcão explosivo e incendiário, está sempre em movimento, muito ativo, muito vivo
nas lembranças de Roccana!

Putz que pariu...ihihihi
Que poema é esse Vulcão!
Não sei nem como explicá-lo!

Elenara Castro Teixeira
elenara@hotmail.com
Santa Maria/RS 03/12/2005