> Roccana Poesias: Regeneração

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"Poesia traz vertigens. Ora cruel, ora leve, ela é desnuda."

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8.2.06

Regeneração

Caminho a teu lado
Navego tua rota
Viajo sem volta
Revejo o trajeto
Lamento o meu erro
Disfarço a tua cara
Provoco o desejo
Me espanta tua ira
Me lanço no escuro
Adio as mudanças
Defino meus álibis
Planejo meu crime
Escondo tuas provas
Te vejo no espelho
Revejo tua pele
Desejo tua fome
Suporto minha sede
Engulo meu pranto
Rumino teu medo
Desisto de tudo

Caminho no espelho
Navego teu medo
Viajo tua fome
Revejo meu crime
Lamento tua rota
Disfarço minha sede
Provoco tua pele
Me espanto a teu lado
Me lanço do nada
Adio meu erro
Defino o trajeto
Planejo as mudanças
Escondo meu pranto
Te vejo no escuro
Revejo meus álibis
Desejo tua ira
Suporto o desejo
Engulo o que sinto
Rumino a tua cara
Desisto de tudo

4 comentários:

Anônimo disse...

Quero ser teu álibi.
Ou teu cúmplice.

Elenara Teixeira disse...

Comentando Roccana!

Esse poema “Regeneração” é perfeito para um tratado sobre a Teoria de Lacan, pois é o exemplo perfeito para a teoria do espelho, onde o verso e reverso das nossas almas se confundem com o estado de espírito que estamos vivendo. Basta um ajuste aqui e ali e o que parecia ser um monstro, torna-se angelical e doce conforme estiver o estado da nossa emoção!
Quando estava lendo esse teu Poema, lembrei-me disso e resolvi com todo o carinho e admiração recoloca-lo
nesse exercício psicológico. Ele é tão perfeito que nada precisou ser feito, alterado ou modificado, apenas realinhá-lo com todas as tuas palavras!
Brinquei com isso e exercitei essa teoria com todos os versos da tua poesia, que, diga-se de passagem, é esplendorosa! Maravilhosa!
Como sempre inovas as emoções com as tuas palavras!

Esperança!
Caminho no espelho
Caminho ao teu lado
Navego a tua rota
Navego teu medo
Viajo tua fome
Viajo sem volta!

Planejamento!
Planejo as mudanças
Defino o trajeto
Revejo o trajeto
Planejo meus crimes
Revejo meus álibis
Defino os meus álibis
Revejo meu crime!

Desejo!
Provoco tua pele
Provoco o desejo
Desejo tua ira
Desejo tua fome
Revejo tua pele
Suporto o desejo

Proteção!
Disfarço minha sede
Escondo meu pranto
Engulo o que sinto
Engulo meu pranto
Disfarço a tua cara
Rumino a tua cara
Rumino teu medo
Escondo tuas provas!

Aventura!
Me lanço no escuro
Me lanço do nada
Te vejo no escuro
Desisto de tudo!

Surpresa!
Me espanto a teu lado
Me espanta a tua ira!

Sensatez!
Adio meu erro
Adio as mudanças
Suporto minha sede!

Constatação!
Lamento tua rota
Lamento o meu erro!

Ana!
Gostaria de ter as palavras certas e conhecimento para definir a beleza desse Poema “Regeneração”, mas rendo-me a minha incapacidade e te agradeço pelo exercício que fiz.
Viajei literalmente nas tuas palavras!
Obrigaduuuuuuuuuuu!!!!
BbEeIiJjOoSs!

Elenara Castro Teixeira
http://phoemahelenara.blogspot.com
elenarat@hotmail.com
Santa Maria/RS

Leonardo disse...

A mim parece a dor do comprometimento, interno e externo. Doce dor.

Roberto disse...

Maravilhosa essa poesia. Me faz lembrar de "Construção", do Chico Buarque, na brincadeira com as palavras - ainda que o sentimento que ela desperte seja muito, muito diferente.

[]s,

Roberto